Afinação da Bateria Parte 9 – Como Limpar Sua Bateria

Como afinar a bateria - Limpeza da bateria, Ferragens e dos Pratos de Bateria

Agora você já possui conceitos e entendimento, falta colocar isso em prática, afinando seu instrumento.

-Já conheço o tambor, sei que madeira é, qual tipo de borda ele tem, qual frequência que ele emana com mais intensidade no seu envelope dinâmico, conferi se as bordas ou o casco não tem avarias que possam interferir no som, conferi os aros vi se eles não estão tortos nem amassados, se não possuem alguma parte danificada, se suas soldas estão em bom estado, conferi os parafusos de afinação, se não estão tortos ou enferrujados ou algum defeito, conferi as canoas, se estão presas, sem “grilos” aparentes, se não estão espanadas ou trincadas, se estão bem presas e isoladas. Fiz os “cálculos” e prospecções do som que procuro e com base na forma que o tambor “canta” escolhi a pele mais adequada, junto à uma baqueta que vai me propiciar o “tiro” correto.  

Se você fez tudo isso, parabéns, você fez sua lição de casa e está apto a… limpar sua bateria!!!

Isso mesmo! LIMPA-LA!!!

O primeiro passo para afinarmos é desmontar e limpar aros, tambores, canoas e parafusos e peles, falaremos de pratos separadamente juntamente com o resto das ferragens.

Este processo não precisa ser repetido sempre, por ser demorado, mas uma vez por mês ou ao menos uma vez a cada 3 meses, aumentará e muito a vida útil da sua bateria. E tenha certeza você será reconhecido por isso!

1° Materiais necessários:

Luvas de tecido de preferência grossas para não passar o suor da mão, Flanelas de pano, óleo de peroba e lustra móveis, isso para os tambores.

Nas ferragens você irá precisar de mais panos e flanelas, WD40 que é um óleo antiferrugem, cera pastosa para carro, esponja, água morna e sabão neutro, silicone para pneu automotivo (pretinho) e uma vasilha de plástico grande. O lustra-móveis e a cera automotiva criam uma película de silicone que protegem o equipamento da umidade e de leves pressões que possam riscar a peça. O óleo de peroba ajuda a conservar a madeira e afastar insetos como cupins, formigas e etc…

O WD 40 é um óleo contra a oxidação e as intempéries do tempo sobre o metal, além de propiciar um melhor encaixe entre as roscas dos parafusos lubrificando-as, a silicone automotiva para pneus o famoso “pretinho” é só para deixar as partes de borrachas dos pedestais melhor hidratadas e dar mais brilho e cor aumenta a vida útil da borracha também.

2° Limpando os tambores:

Após deixar somente o casco removido todas as ferragens e peles coloque as luvas e com uma flanela limpe-o por dentro e por fora. Lustre-o retirando as marcas de dedos e sujeiras que possam existir.  

Em uma outra flanela, dobre-a e molhe-a com óleo de peroba e passe somente na parte interna do tambor.

OBS-1:

Se você passar muito ela fechará os poros da madeira e por ser um óleo ele levará muito tempo para secar por completo, portanto tenha noção, á processos em outros instrumentos como por exemplo a Clarineta que a madeira é deixada de molho em óleo de peroba, justamente para fechar os poros, mas na bateria isso se torna um exagero.

Na parte externa do tambor com outra flanela passe o lustra-móveis nela e posteriormente no tambor. Nunca jamais passe qualquer produto direto no tambor pois ele pode manchar o local, também nunca durante este processo retire as luvas. Sua mão produz ácido úrico junto ao suor, além de outras impurezas e além do mais, estará deixando marca de dedos sobre o tambor.  

Se a pintura da sua bateria for laqueada você pode notar a diferença rapidamente, se sua pintura for encerada não notará tanta diferença, apenas vai “reavivar” a cor dela. Posterior a isso deixe o tambor secar na sombra em local isolado e sem incidência de sol direta no mesmo, após isso com uma flanela seca lustre-o novamente por dentro e por fora, uma hora “secando” já é mais que suficiente.

OBS-2:

Se seu tambor estiver muito sujo ou nunca passou por um processo desses você pode em último caso com muito cuidado por sua conta e risco “lavá-lo quase a seco”. Com a água morna e sabão neutro, molhe a esponja ou flanela o mínimo necessário e no caso da esponja com o lado mais macio e suave (lado amarelo) passe levemente sobre o tambor, deixe-o secar por uma hora e aí aplique o lustra-móveis e o óleo de peroba e deixe secar novamente e lustre-o.

3° Limpando os Aros:

Com as luvas vestidas pegue uma flanela seca, retire o pó e sujeiras que possam existir e lave-os com o lado macio da esponja (lado amarelo) juntamente com água morna e sabão neutro.  

Nos casos mais críticos onde os aros já estejam riscados e avariados, se você quiser pode passar alguma esponja de aço (bombril), mas isso é por sua conta e risco, eu desaconselho.

Se ele ou qualquer peça já apresenta avançado estado de ferrugem aborte esta fase, pois a ferrugem acaba se tornando uma proteção natural do metal e retirá-la só vai aumentar ainda mais a fragilidade da peça em questão, apenas limpe e lustre-o como citarei agora…

Após a lavagem seque-o com outro pano, passe a cera para carro com uma camada não muito grossa, deixe agir por 3 mim e em seguida começa a lustrar com outra flanela seca até dar o brilho esperado.

4° Limpando Canoas:

Em alguns modelos as canoas são “ocas” por dentro e também contém partes que não são de metal, sendo assim lave-a o mais a seco possível como no processo usado nos tambores em último caso. Após isso é secar, passar a cera automotiva (somente nas partes metálicas) deixar agir por 3 minutos e lustrar

OBS:

Caso a cera ou qualquer produto pegue fora do local discriminado, limpe-o imediatamente ou os danos podem ser irreversíveis. O processo para limpar é água e sabão neutro no pano ou esponja levemente umedecidos.

Após limpada, encerada e lustrada a canoa, passe o óleo wd40 nos orifícios onde vão os parafusos tanto que prendem a canoa ao tambor quanto os parafusos de afinação.

5° Limpando os Parafusos:

Em uma vasilha grande coloque todos os parafusos de afinação de maneira que se possível, eles não fiquem sobrepostos, em seguida pegue o óleo wd40 e aplique uma grossa camada em todos como se fosse deixá-los de molho por uns 20 min, Com uma esponja de aço esfregue a parte da rosca do parafuso para que possa ser removida a ferrugem e a sujeira ali existente em seguida com um pano seco, seque todos os parafusos, removendo as sujeiras, após isso aplique novamente uma camada de óleo wd40 desta vez bem fina apenas na parte da rosca do parafuso e deixe-os em local isolado de poeira até recolocá-los.

6° Limpando as Peles:

Com um pano umedecido com água morna limpe-as e retire toda sujeira limpe bem o anel que prende a pele, veja se ele possui imperfeições e/ou já está condenado, ali você já sabe dizer se sua pele vai aguentar muito tempo ou precisa ser trocada. Embora eu desaconselho, se suas peles estiverem muito sujas você pode lavá-las com água e sabão neutro.  

7° Pedestais:

O processo é o mesmo que o usado nos aros, mas cuidado ao lavar as ferragens pois como suas partes são “ocas” e há muito contato de metal com metal ao haver água nessas partes pode danificar seriamente a ferragem.  

Desmonte os pedestais, lave as peças evitando molhar as partes internas e de encaixe que você não possa secar diretamente. Após secá-las passe a cera automotiva, deixe agir por 3 min e comece a lustrar, após secas passe a silicone automotivas para pneus “pretinho” nos pés e partes de borracha.  Lubrifique todas as articulações com óleo WD40, lubrifique também as partes das ferragens com uma finíssima camada que são retráteis, ou seja, os “canos” extensores que fazem a junção do pedestal alongando-o, se você passar muito óleo eles podem criar vácuo e “pegar pressão” o que vai dificultar você “esticar” o pedestal posteriormente, você pode apenas molhar um pano levemente com o óleo e passar nessas partes.  

8° Pedais e Maquina de Chimbal:

Desmonte as sapatas dos pedais com todo cuidado, tenha em mãos o manual do equipamento, lave as peças, retire todo óleo e sujeira existente, seque, pode passar a cera automotiva se preferir, e em seguida aplique o óleo WD40 em todos os rolamentos, articulações e parafusos, cheque bem a mola e o cardã do pedal.

9° Pratos:

Com água morna/quente (mas nunca fervendo) e sabão neutro, lave-os esfregando com a parte macia da esponja, após isso seque com o pano, coloque as luvas novamente e lustre-o até remover as marcas de dedos, após isso aplique a cera automotiva com uma grossa camada, espere de 3 à 5 min e comece a lustrar.  

Obs-1:

Este processo vai deixar seus pratos levemente mais agudos, dependendo do tipo de prato, nada que cause muita “estranheza” no som.

Obs-2:

Se seu prato já está danificado, com o verniz ou o polimento comprometido ele vai criar uma espécie de “zinabre” São umas manchas em tom esverdeado que parecem mofo e evoluem para ferrugem. Se o seu prato já possui isto, tenha cautela ao fazer a limpeza porque a liga metálica ali já se encontra exposta, o que ao lavar o prato vai expor ele a um novo processo de oxidação natural. Se seu prato já está com ferrugem evite lavá-lo, apenas passe um pano limpo e em seguida a cera pois nesse caso a ferrugem acaba sendo uma proteção para o prato, expô-lo a um novo processo de oxidação vai degradá-lo ainda mais.

Considerações Finais Sobre a Limpeza do Equipamento

Nenhuma das informações aqui citadas são apoiadas ou fomentadas pelos fabricantes, alguns até repudiam tais procedimentos. Isso é algo que eu faço com meu equipamento há anos e tenha certeza que se bem usado com dosagem correta trazem mais benefícios que malefícios à vida útil do equipamento.  

É importante saber que todos esses produtos advêm de processos químicos que afetam as madeiras e metais nas mais variadas formas. A glicerina do sabão quebrando as moléculas de gordura, a cera automotiva interrompe o processo de oxidação, em alguns casos e cria uma película de silicone impedindo a umidade de transpassá-la, o “pretinho” hidratando a borracha e fechando os poros dela, assim como o lustra-móveis, o óleo de peroba afasta possíveis insetos e fecha os poros da madeira o óleo WD 40 é antioxidante removendo as ferrugens e lubrificando os pontos de junção de metal com metal.

Todos têm prós e contras, cabe a você utilizá-los com equilíbrio e eficiência para o seu próprio bem e do seu equipamento

 

Bom meus caros amigos(as) bateras, no próximo artigo vamos entrar no processo pratico de afinação dos tambores, pois se você leu está serie de 10 artigos até aqui com toda certeza desenvolveu conhecimento mais que suficiente e está apto a tirar o melhor som de batera que o seu instrumento pode lhe oferecer!

Lembre-se! se gostou deste artigo comente e compartilhe em suas redes sociais. Ajude a espalhar conhecimento!

Até o próximo artigo!

Bumbo no Rim e Caixa no Zoio!

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