Aprendendo a Aprender

Constantemente recebo duvidas e questionamentos de pais de alunos ou mesmo alunos me perguntando:
Em quanto tempo se aprende a tocar bateria?

Quanto tempo se leva para ser um profissional da bateria?

Ou mesmo… – Como eu faço pra aprender mais rápido?

Quanto tempo eu preciso ficar estudando?

Pensando nestas duvidas e nos mais derivados questionamentos referentes a isto, comecei a refletir. E usando do raciocino lógico e erudito que conquistei até aqui, pude ver quê… Todas estas perguntas estavam sendo feitas a mim de forma errada.

Não importa quanto tempo você passe com seu instrumento estudando, nem quanto tempo se leva para se chegar a algum lugar… A pergunta que ninguém sabia fazer, e eu demorei alguns anos para entender era:

Como aprender a aprender?

Esse é o amago da questão, que tive o lapso ao reler algumas entrevistas de grandes músicos como Tomas Lang, Jojo Mayer e Vinnie Colaiuta. E então fui buscar alicerce para estas questões ouvindo um dos maiores cardiologistas, nutrólogo e neurologistas do país, Dr Lair Ribeiro e o professor Italiano naturalizado brasileiro, Pierluigi Piazzi, um verdadeiro mestre não só da neurolinguística como da vida, já falecido desde 2015.

Neste artigo, vamos primeiro nos localizar na nossa situação histórica, ou seja, em que ponto da vida, particular e social nos localizamos, depois aprendermos a reconhecer nosso cérebro e limitações, em seguida saber qual a necessidade do conhecimento que estamos indo atrás, posteriormente, e por fim, aprender a contextualiza-lo dentro da nossa realidade de forma aplicacional, não só na música mas no dia a dia.

Então vamos lá, deixe tudo que você sabe, ou acha que sabe, e abra a sua mente, pois vamos mergulhar dentro de você mesmo a partir de agora!

Dois resultados poderão ser atingidos ao final deste artigo:

1º Você vai achar que não aprendeu nada, que o quê você já naturalmente faz, tem mais efeito que tudo isso, portanto vai aumentar a tua autoestima, irá fundamentar ainda mais o que você tem feito, e fazer você permanecer na sua jornada, logo então, esta informação toda serviu para você…Ou…

2º Vai ver que você pode se reconstruir, mudar de tática, se reconhecer, reconhecer que o processo que você desenvolve hoje, não é o melhor que pode existir para você, então inicialmente pode usar isso como frustração e se isolar, ou… Pode usar isso como uma carga propulsora, se reinventando e se auto motivando, para subir mais um degrau na sua escala evolutiva como baterista, músico e ser humano, encurtando processos de desenvolvimento futuro. Ou seja, encare esse material com respeito e com muita auto reflexão pois de qualquer forma… Ele vai deixar marcas em você!

Então vamos lá!…

Onde eu Estou?

Primeiro de tudo temos que entender que estamos em uma era altamente tecnológica, e estamos ao fim desta era nos próximos 150 anos, e isso não quer dizer que o mundo vai acabar, só que estaremos entrando em uma nova era.

Hoje, temos de um lado, um sistema desenvolvido por humanos, com uma conectividade mundial medida em milissegundos (ms). Este sistema tem fundamentação digital, de alta velocidade e capaz de, através da linguagem lógica, obter informações em tempo jamais imaginado, no entanto ao mesmo tempo, ele é um completo IDIOTA.

Do outro lado, temos a máquina mais perfeita do planeta Terra, que nenhum homem até hoje conseguiu desvendar todos os mistérios, totalmente analógico, pesando cerca de 1,5 Kg chamado Cérebro, que os últimos estudos acreditam que seja equivalente a 15 mil computadores de última geração, no entanto apesar da genialidade intrínseca nele, ele ainda é analógico e LENTO.

Também temos de entender que toda informação se tornou de forma digital, e devido a ampla conectividade existente, essa informação dobra a cada ano, em escalas de progressão geométrica… – “E se você não lembra o que é uma PG, você tá começando errado essa coisa!”

Mas mesmo assim, nós humanos continuamos “analógicos”, e como nos humanos somos pautados em emoções, embora alguns não admitam isso, alguns estudos universitários dizem que mesmo até 2030, 85% dos nossos problemas serão resolvidos pela nossa percepção e intuição, bem como, há outros estudos de fontes sem vínculo com o primeiro, que dizem:

Que 85% da inteligência que temos é desenvolvida no período de vida, ou seja, apenas 15% é genético, o resto é DESENVOLVIDO POR NÓS MESMOS… Engraçado que este estudo se correlaciona com o primeiro citado, logo, se juntarmos o “tico e teco” podemos concluir com base nesses estudos que:

85% do nosso potencial intelectual é adquirível em vida, independente da sua raça, cor, credo, ou pais de origem ou vivência, e que estes mesmos 85% são construídos com base na sua capacidade de intuição e percepção.

Aí chegamos a um divisor de águas…

PERCEPÇÃO E INTUIÇÃO

O que eu sei sobre a minha habilidade perceptiva e intuitiva?

Para isso, primeiro temos de definir o que é Intuição:

Intuição é a habilidade cognitiva de perceber situações e resolver questões intrapessoais e interpessoais, de modo que não dependam do raciocínio lógico ou de prévio estudo da situação em questão, e capacidade de conhecer algo sem conhecer de fato seu funcionamento.

É algo que nasce em nós decorrente das nossas experiências passadas, também não racional, está pautada nas sensações e sentimentos gravados pelo cérebro, que em determinadas situações libera determinadas toxinas e energias em nosso corpo, cuja qual não temos a racionalidade para analisar, mas sentimos plenamente, o que nos coloca em capacidade de emitir juízo sobre determinadas coisas.

Já a definição de Percepção:

É a capacidade de pegar estímulos cognitivos e sensoriais, ou seja, através dos sentidos, e passar esta informação para o âmbito racional medindo suas consequências, pesos e valores em nossa vida, a percepção pode vir de estímulos biológicos ou fisiológicos, portanto sempre se apresentam no âmbito físico, transcendendo o campo das emoções e precisam ser tratadas com a devida racionalidade, com base em nossas experiências de vida, bem como, pautado nos estudos e conhecimentos empíricos, seja a área que for.

A base do estudo da percepção está sempre relacionada em

Ação de força  X  Quanto da magnitude desta força eu sinto em mim e aguento.

Ou seja, não tem nada a ver com o quanto e como eu vou reagir a isso, não se trata de ação da minha parte, mas quanto eu aguento determinada situação, isso chama-se também, resiliência e paciência.

Bom, concluímos através dessas definições que estamos falando de um lado emocional e outro racional – Intuição e Percepção. E olha que legal… Emoção e razão se contrapõem no cérebro na região do Neocórtex.

O lado esquerdo do cérebro é responsável pelo lado lógico, matemático, ele é verbal por assim dizer, e com tendências digitais… Ele processa e liga informações com maior eloquência em dados e fatos.

Já o lado direito é analógico, visual, tem um Q.I intuitivo maior, se baseia em nossas emoções.

Inteligência – Processo Heurístico

E dando mais um paço, com o “tico e teco”, concluímos que Inteligência é:

A habilidade de fazer visível o invisível e com isso criar o poder de intervir nos resultados em nosso benefício, bem como, para com o ambiente e pessoas que acharmos necessário.

Ou seja, para sermos pessoas mais inteligentes, precisamos aprender a pensar com os dois lados do cérebro, simultaneamente e em conjunto.

Se entendermos esse alicerce e trabalharmos com base nele, vamos começar a construir uma capacidade heurística maior.

Heurística para quem não está familiarizado com o termo, está palavra vem do grego e significa “eu encontro”, “eu resolvo”.

É a habilidade de encontrar a resolução para os problemas de forma mais rápida e efetiva possível, o processo heurístico se dá no maior entendimento racional e emocional do ser, criando uma visão ética e moral, que vão delinear um mapa de ações mais rápido quando defrontamo-nos com algum problema, seja ele simples ou complexo.

O processo heurístico está pautado em autoconhecimento, e saber até onde devemos nos arriscar por determinada situação ou problema. Desenvolvendo o processo heurístico em nós, aceleramos nossa capacidade de raciocínio tanto lógico quanto emocional e nosso corpo reage mais rápido a estas informações, podendo assim aproveitar melhor o tempo e as oportunidades que aparecem.

De modo mais simples, o processo heurístico se dá automaticamente pelo próprio corpo através de 3 pontos: Visual, Auditivo e Sinestésico.

O corpo junta informações desses sentidos, e alia as emoções existentes, e após isso cria automaticamente um mapa de ação para sairmos daquela situação, é o próprio corpo nos ensinando de maneira reativa – já que não temos domínio sobre isso até este momento – a viver.

Quando descobrimos e desenvolvemos nosso processo heurístico – E cada um tem o seu – Nós pensamos melhor, mais rápido, e conseguimos nos manter em paz e calmos perante as mais adversas situações, logo, a longo prazo podemos evitar doenças emocionais e psicossomáticas.

Mas como desenvolvemos o processo Heurístico?

Simples… Anotando não informações, mais IDEIAS!

Tudo que nos propomos a aprender é com o intuito de usarmos na nossa vida, logo, quando estamos estudando algo novo, ou tentando aprender algo novo, seja o que for, precisamos de imediato construir ideias em cima daquele conteúdo aprendido, e ideias são um processo gradual, eu não posso sonhar com o resultado daquilo lá na frente, eu tenho que viver o aqui e agora e raciocinar:

Onde eu já cheguei até agora?

Com o “pouco” ou com o que tenho, o que eu posso fazer aqui e agora?

Temos que ser realistas e pé no chão… Quando assumimos projetos nós fazemos planejamento a curto médio e longo prazo. Temos que entender que nosso projeto a longo prazo não precisa necessariamente mudar, mas os processos a médio, e principalmente a curto prazo vão precisar serem adequados constantemente a fim de melhorar o desenvolvimento, isso é ser realista.

E conseguimos nossos objetivos mais rápidos sendo realistas e pragmáticos com a situação do momento, anotar essas ideias que temos naquele momento, no aqui e agora e começar a executa-las de imediato, ajuda o cérebro a medir as consequências do que pode ou não funcionar a médio e longo prazo, e ao começar a praticar isso, com o tempo, cada vez mais você terá mais mapas e algoritmos para resolver “problemas”, ou seja, você criou uma fórmula lógica e eficaz de autopercepção.

E não entendam mal, nunca vou falar para você deixar de sonhar, e nunca se permitam alguém lhes dizer isto, pois o ser que deixa de sonhar deixa de lado uma das maiores razões para se viver, isso só significa que quando acordamos deixamos nosso sonho no travesseiro e encaramos a luta diária, seja ela qual for, e nesse caso é pegar um par de baquetas, papel e caneta e estudar.

E para isso vamos entrar em um ponto que é lidar com o erro;

Durante o processo heurístico, podemos cometer dois erros principais, e eles vão acontecer querendo você ou não, então aceite e tire proveito disto.

1º É o erro por falta de sabedoria e conhecimento, saiba diferenciar conhecimento de sabedoria… Conhecimento é você entrar em um restaurante e ver uma placa na porta e identificar que ali é o banheiro, isso todo mundo conhece, sabedoria está em entrar lá e saber usá-lo, pensando na sua higiene e na do próximo e respeitar que, não é porque existe uma pessoa responsável pela limpeza, que lhe dá o direito de deixar aquilo tudo uma zona, consegue entender!?

Então, este erro que se dá pela inexperiência e é altamente produtivo, pois ele é de fato parte do processo construtivo, você começa a fazer algo, cria ideias iniciais sobre a aplicação daquilo e coloca em prática, e vai se ver errando no instante seguinte, não porque está errado, mas porque você está ensinando seu corpo e sua mente a lidar com aquilo que é novo, seu cérebro está criando o processo heurístico neste instante, está aprimorando e criando correlações nas suas ideias, construindo mapas de ações instantaneamente, você está imerso no aqui e agora, é a vida na sua maneira mais pura e plena, e não nos damos conta disto, e quando nos damos é um processo de êxtase tão grande e tão rápido, que não conseguimos aproveitar ao máximo, portanto se permita errar também.

2º Ao mesmo instante que estamos criando esses novos mapas e ideias o nosso cérebro tenta criar uma familiarização com quaisquer coisas que já tenhamos feito na vida antes disso, é um processo natural e até, de auto defesa do cérebro, é o nosso cérebro reptiliano, tentando interferir em nosso raciocínio logico.

Este talvez seja o erro mais grave e cujo qual se leva mais tempo, embora não muito com uma certa boa vontade, para se consertar.

E ele começa a ser eliminado, quando entendemos que muitas vezes, o que eu sei ou acho que sei já não serve mais, ou deve ser deixado de lado, para que eu poça criar novas sinapses neurais e novos horizontes de aprendizagem e ensinamentos.

Muitas vezes durante esse processo podemos sofrer o chamado “sequestro amigdaliano”. Quando uma das partes do cérebro não é usada corretamente, quando do nada o sistema límbico (cérebro responsável pelas nossas emoções) toma o domínio por completo, exercendo uma liberação de toxinas, transformando-o em cérebro dominante, e ai nos casos mais graves a pessoa entra em estágio que chamamos de: “mania” ou “surto”, são casos que as vezes, principalmente desencadeados por situações de stress, onde por exemplo, o cidadão é um ótimo funcionário, nunca teve problemas no trabalho nem histórico de agressividade, e por algum motivo ele “do nada” começa a quebrar tudo a sua volta ou querer agredir um companheiro de trabalho.

Logico são casos extremos, mas não subestime sua capacidade enquanto ser humano. Por isso a importância de sabermos lidar com este segundo tipo de erro

Para saber lidar com isso, em primeiro lugar, precisa ter consciência desses sentimentos dentro de você, aceitar suas próprias limitações, muitas vezes quando chegamos neste ponto é hora de perceber que demos um paço maior que a perna e temos de voltar um pouco atrás, para não nos prejudicarmos a médio e longo prazo. O cérebro humano tem a capacidade de desenvolvimento ilimitado, é uma escada sem fim, mas tem de ser subida por degraus baixos sempre!

Ter uma vida regrada na questão alimentar também é de suma importância. Nós sabemos que o principal combustível do cérebro é a glicose, e posterior a isso o OMEGA 3 também é muito importante na construção destas “novas redes neurais” embora ele tenha de estar em equilíbrio com o Ômega 6, que é muito presente nos carboidratos. Estima-se que a porcentagem é de 1/3 de ômega 3 para cada parte de ômega 6 que ingerimos, ou seja, controlar a ingestão de carboidratos é importantíssimo para um desenvolvimento cerebral mais ágil, a ingestão de magnésio também vai ajudar na transmissão dos impulsos nervosos, fortalecendo a bainha de mielina dos neurônios, estes aqui citados são coisas já existentes em nosso corpo, portanto o que você estará fazendo não passa de uma reeducação alimentar e uma suplementação, mas sobretudo você deve procurar um neurologista de sua confiança ou mesmo um clinico geral para avaliar possíveis contra indicações.

Teoria das Múltiplas Inteligências

Também temos que entender que existem vários tipos de inteligências correlacionadas que constituem nosso ser, é a chamada teoria das Inteligências múltiplas, desenvolvida pelo psicólogo Howard Gardner, ele afirma que todos temos o mesmo potencial, mas nunca poderemos nos destacar em mais de duas inteligências simultaneamente – neste ponto eu discordo piamente dele – e que devido a estas divisões, se explica por que podemos ser tão bons em artes, música e coisas relacionadas e ao mesmo tempo, péssimos com cálculos.

Ele classifica estas inteligências da seguinte maneira:

Inteligência Lógico – Matemática

Em geral mais predominante nos homens, é a habilidade para o raciocínio dedutivo para solucionar problemas e a capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes.

Inteligência Corporal – Cinestésica

É a capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo e de perceber melhor o espaço tempo, predominantemente maior nos homens, e muito relevante na música e principalmente na bateria e percussão.

Inteligência Intrapessoal

Consiste na capacidade de autoconhecimento, é mais rara dentre os humanos e é predominantemente maior nas mulheres, está na capacidade de autocontrole e domínio dos causadores de stress, neutralização dos vícios, entendimentos de crenças, limites, preocupações, estilo de vida profissional.

Inteligência Interpessoal

Consiste no conceito de empatia, de se colocar no lugar do próximo, ter a habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros, também é predominantemente e maior dentre as mulheres, e em pessoas com senso humanitário como religiosos, professores e afins, pessoas com essa inteligência desenvolvida, também desenvolvem uma dialética e uma oratória melhor que outras.

Inteligência Linguística

Está mais ainda, enfatiza a habilidade de comunicação verbal, a facilidade em aprender novas línguas e novas formas de se comunicar com o ser humano, também com maior predominância entre as mulheres.

Inteligência Espacial

Consiste em entender o mundo a sua volta, sobretudo dentro do aspecto visual, permite-nos transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem o estimulo físico, é comum que o cérebro amplie estes estímulos para nos lembrarmos mais tarde, no entanto, esses estímulos são mais contidos e próximos do real quando nas pessoas dotadas desta inteligência melhor desenvolvida.

Inteligência Naturalista   

É a capacidade intelectual de sensibilizar-se para compreender e organizar os objetos e padrões da natureza, como por exemplo, reconhecer e classificar plantas, animais e minerais, predominantemente feminina.

Inteligência Existencial

É a capacidade de refletir e construir sensações em si mesmo e no próximo com base no “possível” e no “improvável”, infringe um esforço muito grande de partes do cérebro ainda não mapeadas por completo, e comprova-se um uso maior da amigdala cerebral em pessoas com esta Inteligência mais desenvolvida. Está, embora ainda muito sutil, tem resultados comprovados dentro das religiões, da conscienciologia e as chamadas “seitas” – Embora eu não as classifique assim – como por exemplo a Rosa Cruz e a Maçonaria, tem suas fundamentações no estudo das energias, bioenergias e do espirito.

Inteligência Musical

É a habilidade de compor ou mesmo repetir padrões musicais, sejam apenas ouvindo ou munidos de partituras, em termos de ritmo, melodia e harmonia, reconhecendo timbres e técnicas de execução oriundas do instrumento em ocasião, embora todas as inteligências sejam codependentes a partir de certo ponto, a inteligência musical se caracteriza por ser logo de início  uma forma de linguagem única e universal, por colocar o próprio corpo em execução, por ser amparada em conceitos racionais e matemáticos, por lidar com percepções intrapessoais no ato de compor ou executar, e interpessoais por criar emoções e sentimentos em terceiros, e por trabalhar com frequências que por si só, já carregam certa energia, atingindo diretamente questões ligadas ao ser de quem toca e quem ouve. Ou seja, ela engloba todas as demais inteligências praticamente.

Bom, vamos fazer uma somatória do pouco que vimos até aqui para você conseguir sintetizar tudo isso no cérebro, e colocar de maneira simples e inteligível e já começar a construir planos de ação dentro da sua “cabeça”.

Vimos que estamos em uma era onde temos um gênio digital altamente rápido e idiota e do outro lado, temos um gênio lento e analógico

Vimos que precisamos aprender a pensar com os dois lados do cérebro (racional e emocional – esquerdo e direito), também reconhecemos que a inteligência é 15% herdada geneticamente e 85% desenvolvida independente de cor, credo, idade, etnia ou local. E que a inteligência é pautada 85% em intuição e percepção, além de definirmos seus conceitos.

Vimos que a base para desenvolver a inteligência é anotarmos ideias, que vão surgindo durante o estudo, isso chama-se processo heurístico, que consiste em criar mapas e algoritmos de resoluções dessas ideias/problemas.

Vimos que temos vários tipos de inteligência, e eu preciso saber utiliza-las para construir esses mapas mais agilmente e também encontrar soluções com mais facilidade e praticidade.

Vimos a importância de se saber lidar com os erros, e que eles quando compreendidos e aceitos são partes do processo heurístico e vão nos ajudar no desenvolvimento da inteligência

Vimos a importância da alimentação equilibrada e da suplementação quando necessário a base de Magnésio, Omega3, diminuição de carboidratos e controle/ingestão da glicose durante o estudo

Então guarde/ANOTE bem estas informações/resumo até aqui, pois vamos aumentar um pouco mais as informações aqui nesse “bolo”, agora vamos falar da importância dos sentidos no processo de aprendizagem.

Pilares Heurísticos

Primeiramente já dissemos isso e você pode ver também em outros artigos meus, que o ser humano é pautado sobre 3 aspectos: Visão, Audição e Cinestesia (tato).

É assim que um ser humano sente o mundo ao seu redor, se comunica e aprende a viver. Estes são um dos alicerces que vão direciona-lo durante sua vida. Estes 3 sentidos estão conectados diretamente ao processo heurístico, e a programação neurolinguística do ser, bem como, o trabalho em conjunto desses sentidos com as partes do cérebro (Reptiliano, Límbico e Neocórtex)

Se soubermos quais dos sentidos nos traz mais resultados imediatos, mais rápido vamos construir estes mapas de aprendizagem, assim transferir o conhecimento adquirido para o nosso neocórtex e aí sim, teremos de fato aprendido tal coisa, e jamais a esqueceremos.

A grande vantagem é que estes sentidos são treináveis e desenvolvíveis como tudo em nosso corpo, precisamos somente de disciplina e consciência… do aqui e agora!

Como vimos a inteligência musical já engloba muito das outras inteligências, e se tratando de bateria e percussão, temos que simultaneamente de maneira ativa, ouvir o que outros músicos tocam, olhar ao nosso redor para vermos a disposição do equipamento e o que os outros músicos querem nos transmitir, e movimentar o nosso corpo corretamente dentro do kit para tirarmos o melhor som dele.

Ou seja, estamos utilizando ativamente e simultaneamente, audição, visão e cinestesia.

Agora vamos ver a importância de cada uma delas durante o aprendizado:

Cinestesia:

Primeira coisa que temos que saber é diferenciar a Sinestesia da Cinestesia.

Sinestesia vem do grego synaísthesis e significa “sentir em conjunto, ou seja, é a habilidade que o cérebro tem de pegar uma sensação que deveria ativar um só sentido, mas ela acaba por ativar outro em conjunto criando correlações, por exemplo: Eu posso sentir o cheiro de um perfume e ao mesmo tempo sentir ele ativar o meu paladar, quando por exemplo me refiro ao mesmo como: –  Este perfume é adocicado.

Ou quando digo que: – Está pessoa canta com a voz dura!

Cantar ativa em nós o senso da audição, mas eu me refiro ao ela como palpável (tato) quando digo “voz dura” … Essas são figuras de linguagem usadas para exemplificar, mas na verdade o sinestésico também alia palavras e sons à cores, pois cada som tem sua frequência especifica, e cada cor também tem sua frequência de percepção, a chamada temperatura de cor, o cérebro do sinestésico consegue instintivamente associar isso, é uma habilidade rara, e muito producente se dominada e aplicada corretamente no dia a dia.

No entanto a habilidade que nos referimos aqui é a:

Cinestesia, habilidade que está relacionada diretamente à percepção de peso, tato, espaço físico, resistência e posição do corpo, ou seja, são estímulos reflexivos provocados no próprio organismo, vem dos termos gregos koiné (“comum”) e áisthesis (“sensação”), logo, cinestesia é a percepção do corpo e do movimento.

Já citei em outros artigos aqui no site, que para ativarmos a cinestesia em nosso corpo, partimos primeiro da percepção da nossa respiração, respirar corretamente, apoiando os pulmões no diafragma (respiração diafragmática) assim como fazem os bebês recém nascidos, inflando nosso abdômen e não nossa caixa torácica, que provoca dores nas costelas e no peito, na região do externo.

Após isso, concentrar essa respiração dentro do tempo de contagem, cuidando para não ocorrer fora de hora a Hipocapnia conhecida como hiperventilação, ou seja, quando respiramos muito rápido. A hiperventilação descompassada e fora de propósito controlado, pode causar a falta de CO² no sangue, que vai lhe trazer, tonturas, falta de ar, palpitações, visão borrada dormência ao redor da boca, pés e mãos frios e etc…

Ou a hipercapnia conhecida como hipoventilação, é o aumento da quantidade de CO² no sangue, esta quando reduzimos muito nossa velocidade de respiração, podem levar a falta de tônus muscular (fraqueza nos músculos), convulsões, fraqueza esquelética, aumento de pressão arterial e dos batimentos cardíacos.

Portanto, fazer exercícios com um metrônomo pode ajudar, começando em 80 bpm, comece a contar até 4, e inspire em 4 tempos, segure em 4 tempos e solte em 4 tempos, depois em 8 tempos e 16, após isso reduza para 2 tempos 1 tempo e por fim, meio tempo. Após exercícios diários disto, você terá condicionado seu cérebro e seu corpo em cerca de 1 mês de pratica, fazendo isso diariamente é claro.

Após isso tente em vários andamentos diferentes mas não passe de 120bpm, só estes exercícios já vão te condicionar a tocar a 240bpm ou mais, se o que você procura for velocidade, lembrando que a relação do que se toca para como se respira é inversamente proporcional… ou seja, quanto mais rápido eu tocar, mais lenta minha respiração tem que ser, eu sempre uso a relação de 2/1 ou seja… se toco algo a 120 bpm, minha respiração está automaticamente à 60Bpm, ou quando quero alguma expressão diferenciada na mesma música eu altero a respiração entre o verso e refrão.

Obs: Está relação não se aplica muito quando se trata de cantar.

Enquanto você faz estes exercícios de respiração você pode ir aquecendo a musculatura, e aquecer não se trata de sair tocando, mesmo que coisas leves, aquecer neste caso, é você friccionar sua musculatura, esfregando suas mãos nas juntas como joelhos, cotovelos e tornozelos, esquentar o seu corpo, massagear as falanges e juntas dos dedos e todo metacarpo, isso vai ativar sua circulação, e os receptores neurais que temos nas camadas da pele vão receber está informação de que o corpo entrará em atividade física, hiper estimular isto sem gastar essa energia posteriormente pode gerar acumulo de ácido úrico em regiões do corpo, e isso posteriormente vai doer, portanto, faça até sentir a musculatura solta e relaxada sem excessos e, de fato, coloque o corpo para trabalhar.

Quando começar a fazer os exercícios, procure por um tempo se preocupar com o movimento, primeiro olhe bem para o membro que está executando o movimento, faça o mais lentamente possível – Aqui os conceitos do Tai Chi Chuan podem lhe ajudar significativamente na evolução – Vencer o movimento pela quietude, a dureza pela suavidade e o rápido pelo lento.

Após isso feche seus olhos e concentre-se no que você está sentindo do no seu corpo, quais partes do seu corpo vibram com o movimento e com o som, onde e como você está se posicionando, quanto mais lento for o movimento, mais economia de movimento e energia terá ao executar em velocidades extremas, consequentemente, mais energia, força e resistência.

Procure sentir e ANOTAR todas as experiências que está sentindo no seu corpo durante este processo. Este é um processo de autoconhecimento, portanto a evolução que você terá não será no instrumento em si inicialmente, mas o choque mental será muito grande se realmente se aprofundar nisto, com o tempo notará que seu olhar vai se modificar, se você começar a se fotografar ou filmar, vai perceber a longo prazo que ao tocar sua íris ocular vai mudar quando sentar na bateria, ela vai começar a dilatar e expandir mais a baixa inibição latente, te dando uma profundidade e sensibilidade maior do tempo e espaço, vai começar a não sentir mais os movimentos que faz, de tão naturais que eles vão ocorrer, não existira mais tensão muscular e seu som vai aumentar natural e drasticamente, sem que para isso, precise necessariamente de força.

Audição:

Desenvolver o aparelho auditivo e/ou hiper estimulá-lo, não leva tanto tempo quanto se parece, mas é preciso uma pratica continua, pois há pessoas que mesmo sendo músicos e bons músicos, não tem o ouvido muito bom, além do mais nossa audição como percussionistas e bateristas, já é naturalmente muito afetada pela potência sonora com que temos contato diário, no meu caso a audição sempre foi a parte que mais tive problemas para manter no mesmo nível das demais (visão e cinestesia). Entenda-se quando falamos nesses termos, que estou me referindo a memória auditiva, é nisso que se concentrará nosso desenvolvimento, em criar uma memória auditiva confiável.

Se você leu os artigos de afinação que escrevi aqui para o site – Se não leu leia! – Vai entender que temos uma gama infinita de timbres e formas de cria-los e harmoniza-los, e nosso ouvido é limitado a ouvir entre 20hz e 20Khz, com o passar do tempo e nosso habito de vida, é natural que percamos a audibilidade/inteligibilidade em algumas frequências dentro deste espectro (20Hz/20Khz) isso cria os chamados cancelamentos, ou silêncio, quando não ouvimos aquela frequência.

Então a primeira coisa para isso, é manter nosso aparelho auditivo bem cuidado, sempre usando protetor auricular durante os estudos pesados, ou mesmo ao tocar de fato, cuidar para manter o aparelho auditivo limpo, efetuando lavagens de ouvido uma vez a cada 6 meses ou uma vez por ano, e procurar manter um exame audiométrico regular a fim de prolongar nossa vida nesta profissão, ou mesmo atividade recreativa, danos ao aparelho auditivo são irreparáveis, e falo por experiência própria, não vai querer conviver com a perda de audição.

Para o treinamento auditivo na bateria e percussão, vamos analisar que em primeiro lugar a maioria dos instrumentos de percussão, e isso inclui a bateria, são chamados de: Instrumentos membrafônicos de altura não definida, ou seja, quando ele não tem uma nota clara e especifica, isso porque o tambor, ou prato, emite uma gama de frequências tão grande que elas se misturam continuamente produzindo somas e cancelamentos.

Sendo assim o primeiro exercício que você pode começar, isso sem ter nenhum estudo musical, é ouvir muita música, dos mais variados estilos, pegue inicialmente uma delas, e ouça-a repetidas vezes, 10, 20, 30…100 vezes não importa!… Ouça até você não aguentar mais está música, e faça isso com a música que você mais gostar. Quando você não aguentar mais ouvir está música, significa que começaremos de fato a ouvir ela como se deve.

Após este passo, comece a ouvir ela prestando atenção em cada instrumento, durante a música inteira, após repetir isso mais umas 10x ouvindo prestando atenção só naquele determinado instrumento, comece a repetir o som deste instrumento com a boca, o chamado solfejo.

Ao fazer isso vai ver que você, mesmo escutando está música mais de 100x ainda não conhece ela de fato!…

Ao fazer isto, você está educando seu ouvido a se manter focado, mesmo mediante a várias frequências e instrumentos diferentes. Você deixará de escutar e começará a ouvir de fato a música, e vai se surpreender com o que vai achar contido nela. Vai entender poque aquela música te “prendeu” por tanto tempo. Depois faça isso com os outros instrumentos, procure deixar a bateria e elementos percussivos por último.

Ao fazer este solfejo de cada instrumento contido na música, você estará trabalhando um dos pilares da comunicação que é a repetição, que é basicamente o primeiro passo pelo qual um bebê aprende a falar, repetindo sons da voz humana que ele ouve.

Você está criando um vocabulário auditivo, memória auditiva, e sensações ao repetir estes sons, que serão gravadas em vosso corpo e vosso cérebro, nesse instante cérebro límbico e neocórtex atuam em conjunto para registrar estas informações, que serão utilizadas no processo heurístico na hora de produzir uma música, ou mesmo de buscar uma afinação ou som que se procura no instrumento.

Após isso comece a procurar estes sons no seu instrumento, no caso da bateria e percussão, vai precisar ler os artigos de afinação para conhecer também, como explorar o instrumento a seu favor da melhor maneira possível, e ao fazer o processo citado nos artigos de afinação, também estará trabalhando seu aparelho auditivo.

Contudo é importante ressaltar que este é um processo de prática diária e consciente, deixar de escutar música e passar a ouvir frequências, ou seja, você vai começar a desenvolver uma memória tão precisa, que poderá chegar a ter um ouvido absoluto, lembre-se que o som é frequência, é energia, é deslocamento de ar, portanto ele além de audível pode ser sentido, você poderá sentir vibrações em determinadas partes do corpo com determinada frequências, anote todas estas impressões, isto é a chamada sinalética, um exemplo claro de músico que respondia ao som por sinalética era Ludwig van Beethoven, simplesmente um dos músicos mais brilhantes que já existiu na Terra.

Além disso, o processo de treino e criação de uma memória auditiva leva-se anos para algumas pessoas, como é o meu caso, levei 6 anos até ter um ouvido um pouco mais alinhado, e ainda sim só consegui isso quando deixei de olhar só para os tambores e pratos no universo musical, e ainda sim, se eu me descuidar, com 3 meses já perco parte desta memória, pois no meu corpo – E eu aprendi a respeitar minhas limitações –  A memória auditiva é o que tenho mais dificuldade para manter, já em contra partida, a cinestesia pra mim é absurdamente natural, pode ser que para você seja o contrário, ou ao menos diferente, respeite isso e use as informações deste artigo para encontrar este caminho.

Visão:

Como diz o ditado popular: – “Os olhos são as janelas da alma” – E se são da alma, com certeza são da mente também!

Os nossos olhos enxergam através da retina, está por sua vez possui dois tipos de células, os bastonetes que enxergam em preto e branco, responsável pela nossa visão noturna e é muito sensível à luz, e os cones, que enxergam as 3 cores fundamentais vermelho, verde, azul, (RGB – em inglês, que você já deve ter visto nas entradas de televisores e computadores) no entanto, os cones precisam de muita luz, por isso a noite, sem tanta iluminação natural, enxergamos tudo com uma tonalidade mais parda ou acinzentada.

Da mesma forma se eu juntar estas três cores em forma de luz, eu terei o branco, agora se eu juntar essas três cores em forma de pigmento eu tenho o preto, ou seja, nossos olhos constroem imagens por reflexão, por exemplo:

Você não enxerga a folha de uma planta porque ela tem a cor verde, você a enxerga porque ela reflete a luz verde, cientificamente falando todas as plantas são pretas em cor, mas para desenvolver a fotossíntese a planta reflete a cor verde. Cores emitidas são raras de aparecer, o habitual são cores refletidas.

Logo meu olho está acostumando por natureza a ler a reflexão de pigmentos, e aí eu lhe pergunto:

A tela do seu celular, tablet, ou computador gera luz ou reflete luz?

Como limos acima se ela reflete luz eu uso os cones, porque é ele quem necessita de mais luz, se eu tenho a pigmentação disto eu leio com os bastonetes que por sua vez precisam de menos luz e estão em maior quantidade.

Por isso está CINETIFICAMENTE PROVADO que ler em uma tela que emite luz, não retém nem 30% da compreensão que eu tenho quando leio em papel que reflete a luz, pois tudo que reflete a luz cansa nossos olhos mais rápido.

Toda cor tem sua frequência, que chamamos de temperatura de cor, e não vou aprofundar muito mais, pois aí, teríamos de voltar lá no 5º ano do colegial, onde estudamos pela primeira vez teoria das cores, e não vem ao caso no momento.

O fato é que cada cor tem uma temperatura e essa temperatura tem uma frequência, e é isso que chega aos nossos olhos. Está informação é registrada no cérebro que durante o ciclo circadiano – ciclo que corresponde a um dia – (falaremos disto mais tarde), será destinado para nossa memória de curto, médio, ou longo prazo.

Um fator aqui é imprescindível reconhecermos, nosso cérebro, organiza melhor as informações quando dotadas de muitas cores, por isso é importante sempre usarmos mais de uma cor de caneta para fazermos nossas anotações, ou quando estivermos construindo ideias, darmos cores bem vivas a estes pensamentos, assim o cérebro grava com maior facilidade.

Para exemplificar, podemos fazer um teste bem rápido:

Se eu disser para você que NÃO pense nas próximas frases que eu vou lhe falar. E está próxima frase for:

– “Pense em uma bateria vermelha!”

Bem… no que você pensou? … Sendo que eu lhe disse para não pensar!?

Bloquear este estimulo é muito mais complicado do que se eu disser pra você, apenas:

– “Não pense em uma bateria!”

E ainda sim isto já será difícil, isso acontece porque o ser humano pensa porque fala, e não fala porque pensa!

A comunicação verbal está anterior ao pensamento, porque ela vem de uma necessidade mais vital e animalesca, ainda contida no cérebro reptiliano.

Por isso a necessidade de falarmos para conduzir inicialmente o pensamento, tendo em vista que podemos ter mais de 70 pensamentos por minuto, segundo estudos científicos.

Quando estamos desenvolvendo nossa capacidade heurística, precisamos anotar nossas ideias e conduzir nossos movimentos com nossa fala, para alinharmos as três velocidades que estão contidas em nosso ser:

A velocidade do pensamento (velocidade da luz), a velocidade do som e a velocidade do corpo. Temos que começar pelo alicerce, nivelando por baixo, ou seja, a velocidade do corpo, e neste ponto que entra o desenvolvimento da memória visual, ou memória fotográfica.

Olhar nossos movimentos, cada gesto que nosso corpo faz, cada musculo movido, tudo nos mínimos detalhes, e primariamente de maneira extremamente lenta. E após isso usarmos a conexão que os olhos tem diretamente ligados ao cérebro, logico, nós sabemos que o órgão que tem a conexão mais direta com o cérebro é o olfato, mas temos que otimizar esta conexão da nossa visão com nosso neocórtex, aprendendo a focar nossa visão no que de fato queremos, e deixar nossa visão periférica inicialmente por conta do nosso cérebro límbico, por isso quando estudamos, fazemos isso sozinhos e isolados sem muitos estímulos visuais além do necessário.

E para isso alguns estudos voltados a PNL (programação neuro linguística) nos facilitam, por exemplo:

Olhar para cima, você ativa automaticamente a área do cérebro correspondente a parte visual

Olhar horizontalmente (para frente e para o nada), facilita a conexão com o campo auditivo do cérebro.

Olhar para baixo e para direita ativa os campos cinestésicos do cérebro

Para cima e para esquerda, você ativa as memorias de longo prazo do cérebro, já contidas em você.

Para cima e para a direita ativa a construção criativa do cérebro, e indica ao cérebro a necessidade de memorizar aquela informação.

No caso dos canhotos, isso se aplica de forma inversa, no entanto pego meu caso como exemplo:

Eu sou destro para algumas coisas e canhoto para outras, nunca penso sobre o quê ou como vou fazer, apenas faço, e quanto tomo consciência disso eu tento fazer isso com o membro contrário o dobro de vezes, me condicionei a isso para manter a baixa inibição latente o mais ativa possível. Não consigo mais perceber a diferença no momento, só após alguns segundos.

Portanto é imprescindível sabermos controlar onde nossos olhos e onde estão indo, fixa-los ao movimento, e o nosso caso, ao movimento do musculo e não da baqueta,  e pensarmos qual tipo de som e movimento que queremos, qual musculo que queremos que seja ativado naquele momento, ao fazer isso poderá perceber que micro musculaturas nasceram em nosso rosto, seja de alegria, dor, tranquilidade, raiva, as mais diversas possíveis, com base no tipo de som que quer criar, por isso as vezes vemos músicos fazendo careta no palco, cujas quais achamos sem necessidade. Para nós pode não ter sentido ou ser apenas teatral, mas em alguns casos é uma necessidade para ativar aquela determinada região do cérebro, que emitirá a ordem para tal musculo se mover para obter aquele som.

E ai a mágica acontece, visão audição e cinestesia trabalhando juntos, cérebro reptiliano, límbico e neocórtex em perfeita harmonia, e se conseguir estar realmente presente no aqui e agora, quando isso acontecer, vai receber uma descarada elétrica e hormonal que vão te dar uma sensação de prazer e êxtase fora do comum.

Memorizar essas imagens e impressões causadas no corpo é de suma importância, no início pode parecer um pouco complicado ter de analisar o movimento gravar isso, ver isso e gravar, ouvir isso e gravar, é um pouco cansativo e trabalhoso no início, e pode ter a impressão que sua produtividade baixe, e de fato vai baixar nos primeiros meses, mas é porque você está impondo novas formas de aprendizado ao corpo como um todo, e ele precisa se habituar a isso, e acredite, isso leva um certo tempo.

Mas após isso a velocidade com que seu corpo vai gravar essas informações é algo absurdo, vai chegar um pondo que não importa se você ouça ou veja, ou tente fazer algo, você simplesmente manda o comando e seu corpo todo responde imediatamente e instintivamente, é como se aquilo tivesse nascido com você, e por mais difícil que pareça o que você for tentar executar, você já sente instintivamente no corpo como um todo o melhor processo para aprender aquilo, sua calma para lidar com as informações te colocam em uma zona não de conforto mas de segurança, e você deixa de se importar com o resto e se torna totalmente presente no aqui e agora, e as coisas fluem.

Você é Estudante ou Aluno?

Chegamos ao ponto onde conseguimos entender os pilares que vão nos ajudar a aprender com eficiência, lembrando que eficiência não é praticidade e muito menos velocidade.

Se você acha que vai aprender algo de valor nessa vida com praticidade e velocidade meu caro, lamento lhe dizer, para o mundo e pede pra descer!

Aprender com eficiência tem haver com o ser um bom estudante e não um bom aluno.

E é isso que vamos discutir a partir de agora.

Nós temos milhares de alunos em todo país, mas pouquíssimos estudantes.

Ser aluno é um ato coletivo e passivo e ser estudante é um ato individual e ativo.

Guarde bem isso pois a partir de agora este será o seu norte, assistir aula, mesmo que vídeo aula jamais será ativo, e estudar jamais será coletivo pois tem haver com colocar em ação aquilo que você viu na aula, portanto, não se permita chamar seu professor educador, quem educa é pai e mãe, e um professor de verdade jamais vai lhe ensinar nada, nada além de como pensar sobre determinado assunto, ou seja, um bom professor vai te explicar determinada matéria e como executar, mas o ato de estudar, praticar e aprimorar é você individualmente colocando em prática o que lhe foi explicado, chega a ser contraditório, ainda mais para eu como professor falar isso mas, o desejo de todo professor deveria se tornar obsoleto!

Obsoleto no aspecto de que, ele ensine seu aluno a pensar por si próprio e refletir sobre tal assunto e criar seu mapa de aprendizagem, fazendo com que o aluno se torne autodidata naquele assunto, e passe a ampliar seus conhecimentos por conta própria sobre tal matéria, alcançando assim novos patamares e novos professores, portanto “colocados os pingos nos is” neste aspecto, seguiremos…

O próximo passo é entender que toda boa ideia que você vier a anotar precisa de um método, um modelo tangível, o conhecimento é anotado, colocado em prática e vira sabedoria.

Sabedoria é aquilo que fica quando você esquece tudo que aprendeu, ou seja, tudo isso provem de métodos e modelos, é para isso que um professor serve em suma, para apresentar métodos e modelos que facilitem seu estudo (que é uma atividade ativa/individual)

Mas temos que entender que métodos e modelos não devem ser vistos como obstáculos, mas sim como etapas que precisam ser cumpridas, isso precisa de paciência e de estratégia, e eu crio isso com métodos de memorização, algoritmos, cujos quais vimos desde o início até aqui, que é ir direcionando o cérebro, aceitando limitações, aprendendo com erros, estimulando sentidos, hiper estimulando inteligências múltiplas.

Isso tudo consiste em criar uma nova PNL (programação neuro linguística) e isso está no cerne da comunicação interpessoal e intrapessoal

Por isso, os chamados pilares do raciocino são:

1º Criar um passo a passo para execução

2º Visualização; imaginar do seu ponto neste momento, até onde você quer chegar.
3º Reformulação; adequar constantemente aquilo que se está fazendo hoje, visando o longo prazo

4º Exclusão; saber que dentre toda matéria em questão que se está estudando e desenvolvendo algumas coisas podem não servir ou não se aplicar a você, portanto desapegue-se

5º Repetição; o cérebro e o corpo precisam ser educados por você no processo heurístico e a habilidade com determinado assunto só acontece quando se repete inúmeras vezes aquilo que se aprendeu.

6º Leitura; ler é 80% do aprendizado, no entanto, temos três tipos de Leitura: A de prazer, a crítica e a especifica.

Especifico isso pois no final dos anos 90 tivemos um surto de cursos de leitura dinâmica, que ao meu ver e de muitos neurologistas, não passa de nada mais que, aprender a desperdiçar seu tempo de uma forma mais rápida.

Quando se está lendo uma leitura de prazer, para descontrair, aí até podemos ler um pouco mais rápido, quando lemos uma leitura crítica, fazemos leituras curtas e paramos para construir nosso raciocínio por algum tempo, ou as vezes até mesmo dias e meses.

Quando fazemos uma leitura especifica ela tem função direta em nossa vida e está alinhada com o que fazemos da vida, portanto devemos ler o material impresso com canetas, lápis e papel em mãos e após isso guardar em local de fácil acesso para consultas posteriores, e após isso alimentar nosso cérebro com mais informações derivadas do mesmo assunto, e criar mapas mentais e de execução bem como correlações com nossos hábitos diários mesmo que fora do assunto em questão.

Outro ponto, está cientificamente provado que quando lemos, mesmo sem falar, a nossa laringe promove os movimentos e micro sons como se estivéssemos falando de fato, e a nossa laringe é capaz de falar cerca de 180 palavras por minuto (normal na conversação convencional), já o cérebro consegue gerar 1000 palavras por minuto. Percebe o desencontro de velocidades já citado acima?

Temos que aprender a nivelar isso começando por baixo, tomando como base a respiração e a concentração para não gerar tensão na região da laringe, e tentar aliviar a pressão nessa região durante o dia, aprender a não guardar emoções, trabalhar o aspecto energético no chakra laríngeo, e na hora do estudo de fato, é ler em voz alta, o chamado solfejo, ou mesmo falar em voz alta o membro que você precisa movimentar. Pelo menos no início isso se torna fundamental, principalmente se você não lê partituras com tanta fluência.

Lembre-se: O ser humano pensa porque fala e não fala porque pensa… falar vem antes do pensar no nosso instinto animal intrínseco.

E após essa reflexão começamos a ver o quanto falamos errado, logo, pensamos errado!

E isto não tem haver com falar “probrema”, “nois viemos”, “nois fumo” …  Até por que tivemos presidentes e presidenta que falavam errado.

Falar errado tem haver com criar sinônimos onde não existe, por exemplo:

Alta de preços com Inflação: Alta de preços pode ou não ser uma CONSEQUÊNCIA da inflação.

Lixo com Poluição: O lixo é um tipo de poluição apenas, sendo que o problema da poluição está na raça humana sem consciência ambiental.

Racismo com Discriminação: racismo é só um ato de discriminação, não ela como um todo.

Educar com Instruir: Pai e mãe que educa, professor instrui.

Estes são só alguns exemplos para ver como pensamos errado grande parte do tempo.

Nossa língua é uma das mais complexas do mundo, com uma colocação temporal do verbo absurdamente grande, com uma absorvisão de vocábulos etimológicos que vem do Latim, Grego, e na língua moderna usamos terminologias oriundas do inglês, italiano, espanhol e claro o português de Portugal. Não estamos habituados a pensar na origem da palavra e no seu real significado, por exemplo se pegarmos a palavra IDIOTA:

Você primariamente a vê como um xingamento, quando na verdade ela vem do grego “Idiotes” e significa: Aquele que olha somente para si.

E ainda sim criamos o sinônimo com orgulhoso; que na verdade são pessoas que se orgulham de seus atos passados e acham que ninguém nunca poderá se igualar a eles por sua história de vida.

E ainda confundimos com a soberba; que são pessoas que acham que todos precisam dela, mas ela nunca precisa de ninguém.

Quando na verdade na etimologia da palavra, idiota é aquele que ao tomar uma ação se preocupa primeiro com seu bem estar, como e de qual forma aquela situação o tira da sua zona de conforto ou não. Por este motivo quando chamo alunos meus de idiotas, eu não estou ofendendo, mas sim fazendo um diagnóstico; o diagnóstico de quê ele não quer sair da sua zona de conforto porque acha que aquilo que está lhe sendo explicado não terá efetividade na sua vida. E aluno idiota nunca será um estudante, porque ele não procura evolução, ele procura o comodismo, ele quer ver uma aula passivamente e dizer: “Ok, isso eu nunca vou conseguir fazer, não serve para mim, próximo assunto”

Portanto um bom aluno, lê de forma especifica, toma notas da explicação dada, começa a criar mapas mentais daquilo que foi explicado, explana com o professor possíveis formas de aplicação do conteúdo de modo prático, chega em casa e vira estudante de forma crítica, se aprofundando no tema, relendo, procurando outras fontes de informação e aplicação, começa a colocar em pratica os mapas mentais criados, cria correlações com coisas que já faz habitualmente e aceita os erros durante o processo como carga propulsora e parte do seu desenvolvimento, tudo isso em um ciclo Circadiano, que vem do latim e significa: no período de um dia (24 horas)”

Mas por que este ciclo circadiano?

Porque citamos no início deste artigo que temos um gênio lento de aproximadamente 1,5 Kg dentro do nosso crânio, e ele tem uma capacidade fantástica e ilimitada (para uma vida) de aprendizado, portanto a forma que ele “sobe a escada da inteligência e sabedoria” é um pouco a cada dia, logo, estudar pouco e todo dia é a forma que você nunca precisará estudar para uma prova, exame ou concurso na sua vida.

Foi agindo assim que passei em 5 vestibulares e 1 concurso publico na vida e ainda sim em algumas dessas provas eu já tinha tomado alguns copos de Chopp enquanto esperava a prova, e não estou brincando.

O cérebro tem uma capacidade muito simples e logica de guardar informação, que vamos fazer a analogia às peças do computador. Quando precisamos guardar algo no computador, salvamos no HD, no entanto quando acessamos algo pela primeira vez ou até salvarmos no HD, ele está sendo salvo na memoria RAM, com o cérebro é a mesma coisa.

Quando estamos utilizando ou acessando ou mesmo criando um novo conhecimento, ou seja, desenvolvendo a capacidade heurística, estamos trabalhando com a memoria de curto prazo, que se apaga ao irmos dormir quase que por completo. Só permanecem nos dias seguintes as impressões sentimentais e corporais e ainda sim muito pequenas no corpo.

Se você transfere isso para a memória de longo prazo (salva no HD) você nunca mais esquece, e para fazer isso, nós devemos relembrar e estudar antes de dormir, e manter nosso sono e nossa alimentação bem regrados.

Se você estudar todos os dias mínimo 30 min por dia com intervalo de 10min em cada ciclo desses, de forma pratica, executando mapas mentais criados, fazendo exercícios relacionados aquela matéria, criando uma analogia com o seu dia a dia, automaticamente ao ir deitar-se o cérebro entende que aquela informação deve ser transferida para memória de longo prazo. Da mesma forma se você ir se deitar e pensar em uma problemática ao ser resolvida, que naquele instante, você não consegue encontrar a solução, deixe a pergunta ao seu cérebro junto de um ato ativador, por exemplo: beber água

Faça a pergunta a si mesmo e tome um pouco de água e vá dormir, no dia seguinte ao acordar, faça-se a mesma pergunta e tome novamente um pouco de água, você criou um neuro ativador, pois a noite seu cérebro foi dormir com este questionamento, e usou todo seu potencial consciente e inconsciente para achar a solução, mas ele não sabe como lhe entregar isso, a chave do cofre é a água que ele entende que, quando você à beber ele deve acessar a resposta do questionamento.

Outro fator a ser entendido é que essa forma de ver a vida como um todo e o processo de desenvolvimento interpessoal e heurístico leva tempo. Em um computador se você quer mais espaço, você troca por um HD maior, se quer mais velocidade de processamento começa aumentando a memória RAM e o processador, ou seja, ele é Físico-digital.

No cérebro se você quer aumentar sua capacidade de armazenar informações, tem que aumentar a quantidade de conexões neurais, não vai se criar novos neurônios, mas você vai ter uma gama maior de interconexões entre eles, e isso quer dizer que ele precisa ser exercitado, pois ele é um órgão/peça Biológica-analógica, literalmente é malhar o cérebro pouco e todos os dias. Ao fazer isso e manter uma vida regrada em certos aspectos, você aumenta sua capacidade de processamento e de absorvisão, sua memoria RAM aqui no caso estão conectados aos seus sentidos e sua velocidade de processamento está conectada a sua capacidade coronária e pulmonar.

Consegue entender como tudo que vimos aqui se conecta como se fosse um cachorro correndo atrás do próprio rabo, apesar da comparação esdruxula, e faço isso propositalmente, é para que você perceba o quão idiota é o processo (lembra-se do significado etimológico de Idiota citado acima?).

Para você desenvolver inteligência e transformá-la em sabedoria, você precisa criar o que chamamos de Circulo Virtuoso, são hábitos e disciplina que vão levar A UM LONGO PRAZO você a ter uma vida mais ativa, saudável e com sabedoria, vão lhe fazer estar presente no aqui e agora e deixar de se preocupar com o que não precisa de preocupação. Em algumas culturas orientais, como a budista, isso é chamado de Roda da Vida, em outras de Anatomia Oculta, nas culturas ocidentais de Prosperidade, enfim, não importa o nome em si nesse momento, seja o qual for, você precisa entender que este ato só depende de você querer criar um novo paradigma e um novo habito de vida, e não é fácil, e não tem fim… Leva-se uma vida toda, mas o importante é que você entenda que se trata da jornada em si e não do resultado.

O melhor resultado que você pode ter em tudo isso é estar presente no aqui e agora e entender que a vida não para você muda-la ou conserta-la, nada é imutável nessa terra, tudo está em constate movimento, portanto MOVA-SE!

E como dizia Pablo Picasso: – “Não existe construção, sem destruição”

 

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